O que são desastres

A história da humanidade é marcada por grandes acontecimentos e os que chamam mais a atenção são aqueles onde uma grande quantidade de pessoas sucumbiu em virtude de algum evento, ou seja, o acontecimento de desastres.

Entre os maiores desastres ocorridos na história da humanidade estão as enchentes do Rio amarelo na China (1931), desastre que não tem números exatos, mas estima-se que morreram mais de 2 milhões de pessoas, podemos citar também epidemias como a peste negra (1330 – 1351) na Ásia Central e Europa com mais de 175 milhões de vítimas e a Gripe Espanhola com mais de 40 milhões de mortes.

O significado da palavra desastre de acordo com o dicionário é: “(s.m.) Acidente grave ou funesto; sinistro. Desgraça, fatalidade”. Mas antes de estudarmos o termo e suas definições, vamos dissertar um pouco sobre fatores diretamente ligados aos desastres e por este motivo ligados também a cada um de nós, como integrante de uma equipe de atendimento.

De acordo com a Política Nacional de Defesa Civil (2007, p.8), os desastres são definidos como o “resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem sobre um ecossistema vulnerável, causando danos humanos, materiais e ambientais e consequentes prejuízos econômicos e sociais”.

Da forma exposta, entende-se claramente que o desastre é a conseqüência de um fenômeno, seja natural ou de origem humana, e não o fenômeno em si.

Chuvas intensas, vendavais, acidentes aéreos, acidentes rodoviários, acidentes ferroviários, períodos prolongados de estiagem, epidemias, vazamentos e/ou explosões químicas, incêndios, deslizamentos, alagamentos e outros são chamados de eventos adversos, sendo que as suas conseqüências sobre a comunidade podem ou não se tornar um desastre, dependendo da sua intensidade e da vulnerabilidade da comunidade onde o evento adverso ocorreu.

Classificação dos desastres

Não existe ainda um padrão para classificação dos desastres. Muitas instituições no mundo estudam os desastres, porém não há ainda uma concordância entre os especialistas com relação aos métodos e critérios para essa classificação.

No entanto, no Brasil, segundo a Política Nacional de defesa Civil (2007, p.39), os desastres são classificados da seguinte forma: quanto a sua evolução, quanto a sua intensidade e quanto a sua origem.

1.    Quanto à evolução

  • Desastres súbitos ou de evolução aguda, que se caracterizam pela rapidez com que evoluem e, normalmente, pela violência dos fenômenos que os causam.
    • Exemplo: terremotos, chuvas intensas, deslizamentos, etc;
    • Desastres de evolução crônica, gradual (lenta, que se caracterizam por evoluírem progressivamente ao longo do tempo.
      • Exemplo: Secas e estiagens, epidemias, etc;
    • Desastres por somação de efeitos parciais, que se caracterizam pela acumulação de eventos semelhantes, cujos danos, quando somados ao término de um determinado período, representam também um desastre muito importante.
      • Exemplo: Soma anual de acidentes de trânsito, balanço relativo a violência urbana, homicídios, etc;

2.    Quanto à intensidade (Níveis dos desastres)

  • Desastres de nível I, que se caracterizam por serem de pequeno porte, com danos facilmente suportáveis e superáveis pelas próprias comunidades afetadas;
  • Desastres de nível II, que se caracterizam por serem de médio porte, com danos e prejuízos que podem ser superados com recursos da própria comunidade, desde que haja uma mobilização para tal;
  • Desastres de nível III, que se caracterizam por serem de grande porte e exigirem ações complementares e auxílio externo para a superação dos danos e prejuízos;
  • Desastres de nível IV, que se caracterizam por serem de muito grande porte. Nesses casos, os danos e prejuízos não são superáveis e suportáveis pelas comunidades sem ajuda de fora da área afetada, mesmo quando as comunidades são bem informadas, preparadas, participativas e facilmente mobilizáveis.

3.    Quanto à origem

  • Desastres naturais, que se caracterizam por serem provocados por fenômenos e desequilíbrios da própria natureza e produzidos por fatores de origem externa que atuam independentemente da ação humana;
    • Exemplo: corrida de massa, corrida de fluxo, vendavais, etc;
    • Desastres humanosou antropogênicos, que se caracterizam por serem provocados por ações ou omissões humanas;
      • Exemplo: incêndios prediais ou industriais, explosões, acidentes nucleares, etc;
    • Desastres mistos, que se caracterizam por ocorrem quando as ações ou omissões humanas contribuem para intensificar, complicar e/ou agravar desastres naturais.
      • Exemplo: ocupação irregular de encostas, aterro de planícies aluviais (áreas de várzea).

O desastre é a conseqüência de um evento adverso sobre uma comunidade em termos de danos e prejuízos. E quando ocorre um desastre é necessária atitude imediata de resposta dos órgãos públicos a fim de minimizar os problemas, salvaguardar as vidas, preservar bens e conseqüentemente minimizar a desestabilização sócio-econômica.

As situações de desastres podem ainda ser divididas em dois tipos: as emergências ou crises e as situações críticas.

  • Emergências ou crises: são situações que, embora exijam a intervenção de profissionais capacitados e equipamentos adequados, podem ser assistidas pelos recursos normais de resposta, como Bombeiros, SAMU, Polícia Militar, etc.
  • Situações críticas: São as situações que exigem a intervenção, além dos profissionais acima citados e dos equipamentos adequados, a instalação de uma estrutura de organização diferenciada para o gerenciamento integrado das diversas entidades/órgãos de resposta.

Fonte: Manual de Busca e Salvamento GVBS GERAR – Módulo 4

 

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